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Adeus a Zilda Arns
O
terrível terremoto que assolou o Haiti no dia 12 de janeiro deixou
milhões de desabrigados e causou milhares de vítimas. Entre elas a
Dra. Zilda Arns. Era médica, pediatra, especialista em saúde
pública, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança
internacional e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa.
Era a 12ª filha de uma família de 13, onde cinco são religiosos.
Viúva, mãe de cinco filhos, estava no Haiti em missão humanitária,
onde ia participar da Assembléia dos Religiosos daquele país.
Despediu-se em pleno exercício da causa em que sempre acreditou.
Uma
idéia-geradora movia a ação de Dra. Zilda, copiada da prática de
Jesus, multiplicar. Multiplicava o saber, repassando às
pessoas simples conhecimentos de higiene, de cuidado com a água e
com a alimentação. Multiplicava a solidariedade, partindo dos
últimos, buscando atingir as pessoas que vivem nos longínquos
rincões onde ninguém vai salvar uma criança desnutrida e quase
agonizante. Multiplicava esforços, envolvendo políticas públicas,
ONGs, grupos de base, empresas em sua responsabilidade social.
Por força da solidariedade fraterna,
a Pastoral da Criança no Brasil conta com uma rede de 260 mil
voluntários, dos quais 141 mil são líderes que vivem em comunidades
pobres, 92% são mulheres. Cada voluntário dedica, em média, 24 horas
no mês, a esta missão transformadora de educar as mães e famílias
pobres, compartilhar o pão da fraternidade e gerar conhecimentos
para a transformação social. Presente em mais de 40 mil comunidades,
de 7.000 paróquias de todas as 272 diocese e prelazias do Brasil,
está se estendendo também a outros 20 países.
Na missa de corpo presente, em
Curitiba, o presidente da CNBB, olhando para o caixão coberto com as
bandeiras do Brasil, da Pastoral da Criança e da Pessoa Idosa, assim
se expressou: Dra. Zilda foi uma
servidora de Deus e da humanidade. A obra fundada por ela é a mais
bela ação concreta da evangélica opção pelos pobres. Quantos estão
vivos graças à sua perseverança.
De lá do
céu, continue Dra. Zilda, a olhar pelas nossas crianças e a
fortalecer as lideranças desta pastoral, que aprenderam a amar e
cuidar da vida dos pequenos e dos fracos com você. |