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Mutirão de
Comunicação é marcado por integração cultural
O Mutirão de Comunicação América
Latina e Caribe, que aconteceu na PUC, em Porto Alegre, de 3 a 7 de
fevereiro teve momentos de reflexão e discussão em torno do tema
cultura solidária e paz. Durante cinco dias, centenas de pessoas, de
20 países e diferentes conferencistas abordaram diversas questões
relacionadas ao diálogo no processo de comunicação.
O evento foi marcado pela
interculturalidade e pela participação não somente latino-americana,
mas de outros países do globo. Segundo o padre Marcelino Sivinski,
coordenador geral do mutirão, os mais de mil comunicadores
participantes, deixaram a capital gaúcha com diversos propósitos e
uma certeza, a Igreja brasileira, a Igreja latino-americana, as
instituições e especialmente as redes católicas, precisam se unir
para marcar uma presença incisiva na sociedade, enfrentando os
desafios que o aparecimento de novas mídias representa.
Painelistas, como o ex-vice-ministro da cultura de Cuba, Ismael
Gonzalez, o ministro de comunicação do Paraguai, Carlos Augusto dos
Santos, entre outros, ressaltaram que a democratização da
comunicação é um dos principais desafios. A forma como os meios de
comunicação de massa estão organizados não servem à solidariedade,
pois praticam um jornalismo de desintegração cultural. É preciso um
jornalismo de integração, de solidariedade e de responsabilidade
social. A cidadania comunicativa é um processo de múltiplas vozes,
com espaços para a diversidade, destacaram eles.
Os novos cenários
políticos e sociais latino-americanos e os processos de comunicação;
economia e comunicação na era digital e comunicação no diálogo das
culturas, foram os eixos temáticos do Mutirão. Ao longo de toda a
semana aconteceram debates, seminários, palestras e oficinas. O
evento contou ainda com atrações artísticas e culturais, bem como
uma exposição de materiais, livros, objetos de artesanato, produtos
e serviços de comunicação e mídias, exposições de arte sacra,
contemporânea, e outros.
A carta de Porto Alegre
No final
do Mutirão foi apresentada uma carta em forma de documento
Esta carta traduz os sonhos de um
futuro apoiado no compromisso político de concretizar uma utopia
construída sobre a rica bagagem cultural e religiosa acumulada ao
longo dos anos, que representa uma enorme riqueza de povos e
culturas, especialmente indígenas, negros e migrantes, constituindo
uma herança tantas vezes desprezada. Este rico legado, somado à
vitalidade dos movimentos sociais, habilita o surgimento de atores
que têm “direito a ter direito” e são os forjadores de nossa
diversidade cultural, destaca a carta.
Em outro trecho, a carta reforça o
tipo de comunicadores com os quais sonham os participantes do
mutirão. Sonhamos, enfim, com comunicadores e comunicadoras:
-
cuja
prática profissional seja marcada pela vivência de uma cultura
solidária, por critérios éticos e por uma vida coerente com
esses princípios;
-
que
se reconheçam, acima de tudo, servidores do direito dos cidadãos
a receber e emitir informação e opinião; que não se subordinem
aos interesses e às pressões do poder político ou econômico
porque estão comprometidos com a cidadania comunicacional;
-
que
estejam junto aos empobrecidos e incorporem seu olhar;
-
que
impulsionem o diálogo para enfrentar as contradições,
inevitáveis em qualquer sociedade, com o objetivo de alcançar a
paz e a justiça;
-
que
não se preocupem somente em ser plurais, mas igualmente em
valorizar as diferenças surgidas no caminho da busca da verdade;
-
que
suscitem solidariedade a partir dos processos de comunicação;
- que saibam escutar e estar
atentos especialmente ao clamor que emerge do murmúrio dos
silenciados e, assim, contribuir para a visibilidade dos
invisíveis de hoje.
A Diocese de Passo Fundo marcou presença neste evento
internacional, com a participação do bispo auxiliar dom Liro
Vendelino Meurer, do Coordenador de Pastoral padre Ladir Casagrande,
dos integrantes da Equipe de Comunicação Marcelo Araújo, Leonardo
Biazus, Eberson Fontana, Olgair Slongo, Mirte Pagnussat, a
Coordenadora de Catequese irmã Nilva Brugnera e o jornalista da
Rádio Planalto Anderson Silva, além da irmã Silvana Arboit, da
Diocese de Erexim que se integrou à equipe. |