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Campanha da Fraternidade alerta para o aquecimento da Terra
e desequilíbrio climático

A Campanha da Fraternidade(CF) deste ano aborda o aquecimento global e as mudanças climáticas. A temática é plenamente justificável se considerarmos as intempéries que afligem as populações de forma cada vez mais intensa. A questão é polêmica e a causa desse desequilíbrio climático já é discutida no mundo inteiro. Entre os pesquisadores há duas correntes distintas. A primeira entende que o aquecimento global é oriundo da própria natureza e a outra afirma que o planeta está aquecendo devido às grandes emissões de gases de efeito estufa, que se intensificaram a partir da revolução industrial. No entanto, uma coisa é certa.  Percebemos que mudanças climáticas e alterações no planeta estão acontecendo. Considerando que o clima na Terra é resultante da interação dos seres que a habitam é difícil negar que fatos como as derrubadas de florestas, modificações nas águas marinhas e na atmosfera não contribuam para isso. Cruzar os braços frente a esses desafios seria irresponsabilidade para com as gerações futuras e principalmente com os mais pobres e menos protegidos, uma vez que o aquecimento global e as mudanças climáticas exigirão deles maiores sacrifícios.

Aquecimento global e a ação humana

A tese de que o aquecimento global é fruto da ação humana foi elaborada por especialistas e pesquisadores ligados a ONU. O grupo ficou conhecido como IPCC ( Painel intergovernamental sobre mudanças climáticas). O Painel do Clima, como também é chamado, iniciou seus trabalhos em 1988. Seus estudos mostram detalhadamente a variação da temperatura da Terra a partir de 1750 e relacionam o aquecimento global ao aumento progressivo da emissão de gases de efeito estufa, derrubadas e queimadas de florestas. Os resultados apresentados pelo IPCC foram abraçados pela ONU, Unesco, FAO, PNUMA, Igrejas, Fórum Social Mundial, Movimentos Sociais e ONGs que  defendem a vida no planeta.

No relatório de 2007 o IPCC afirma, com segurança, que o planeta Terra está aquecendo e elevou a temperatura média em 0,74ºC. Afirma, ainda, que a concentração de dióxido de carbono, o gás de efeito estufa mais importante, aumentou mais entre os anos de 1995 a 2005 do que entre 1960 e 95. Isto significa que a temperatura tende a aumentar cada vez mais.  Partindo desta relação podemos dizer que a temperatura da Terra depende do nosso modo de produzir, consumir e de se relacionar com ela. Entre os anos de 1995 e 2006, o mundo teve 11 dos 12 anos mais quentes já registrados para a superfície da Terra.

Existem, ainda, outros indicadores que mostram a aceleração do crescimento, como o degelo das montanhas, a elevação do nível do mar, o aquecimento da temperatura dos oceanos, as secas mais prolongadas e mais intensas, as chuvas mais pesadas e as frequentes enchentes... A temperatura da Terra deve aumentar cerca de 2,4ºC até o ano de 2050, mesmo que a humanidade mude seu padrão de produção e consumo imediatamente. Caso contrário o aumento será bem maior.

Modelo de desenvolvimento

De acordo com os padrões atuais de produção e consumo, a humanidade consome um quarto a mais dos bens de que o planeta pode disponibilizar.  O processo de globalização tende a padronizar o estilo de vida baseado no consumo excessivo por parte de uma parcela da humanidade. O atual modelo de desenvolvimento afirma-se como caminho para a solução de problemas que afetam as sociedades, como a desigualdade, a saúde, a educação e o meio ambiente. No entanto, estes problemas estão aumentando visto que a riqueza gerada acaba concentrada nas mãos de poucos, aos quais só interessa o lucro.  O diagnóstico parece claro. É impossível manter esta escalada de crescimento e consumo que se globaliza pelo mundo afora e deseja apenas o lucro, prega eficiência, descarta empregos e o próprio trabalhador... Mas, parece que os governos das nações não se mostram dispostos a renunciar a esta ideologia de crescimento, nem as pessoas mais abastadas estão dispostas a mudanças de hábitos.  É preciso, contudo, esclarecer que todos têm direito ao consumo necessário dos bens essenciais à dignidade da vida, mas é fundamental que se diminua o consumo das elites mundiais para suprir as necessidades dos mais empobrecidos.

As dores da vida no contexto do aquecimento global

A biodiversidade do planeta foi se formando ao longo de bilhões de anos e calcula-se que existem cerca de 10 milhões de espécies na terra das quais apenas um décimo é conhecido.  Embora não se possa precisar exatamente, muitas espécies foram extintas através da destruição das florestas tropicais e dos recifes de corais, da pesca marítima predatória e outros fatores. Persistindo essa situação, em pouco tempo, a perda da biodiversidade será um desastre incalculável.

Desastres ambientais são cada vez mais comunsEm nossos dias, os problemas do meio ambiente estão mais expostos pela divulgação na mídia, campanhas, ONGs e instituições e em outros meios fazendo com que a sensibilidade de muitas pessoas se torne fragmentada, isto é, voltada para uma determinada floresta ou animal, sobretudo quando em perigo de extinção. Entretanto, é preciso salvaguardar o planeta do aquecimento global destrutivo e preservar a biodiversidade como um todo.

Outra problemática que precisa ser enfrentada é a questão da fome no mundo. A situação de miséria extrema tem grande impacto na biodiversidade, pois a grande massa de pobres e as maiores riquezas em biodiversidade se encontram em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. Isso nos remete a olhar os mecanismos de produção, apropriação e comercialização dos bens agropecuários, tema que vem crescendo no contexto da crise ambiental. No Brasil, por exemplo, 70% dos alimentos consumidos são produzidos pela agricultura familiar e não pelo agronegócio.

Sustentabilidade

O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu na década de sessenta, quando se introduziu na análise do desenvolvimento das nações os aspectos de saúde, trabalho e educação. A ONU utilizou esse procedimento na conferência de Estocolmo em 1972, chamando a atenção das nações do mundo por estarem praticando uma economia que destruía a natureza e colocava em risco a sobrevivência da espécie humana. É interessante, porém, perceber que há uma dificuldade de compreensão deste termo. Desenvolvimento é associado a melhorias que implicam em mudanças e crescimento econômico contínuo. Com esse espírito criou-se uma civilização que não soube harmonizar-se com a natureza, apenas explorá-la. Nesse sentido, a união das duas palavras, desenvolvimento sustentável, parece um tanto contraditória.  No contexto atual de mudanças clima e aquecimento global, o termo sustentabilidade é o mais indicado, pois aponta para um outro paradigma civilizacional.

Economia, meio ambiente e bem-estar social são os três veios que dão a noção de sustentabilidade, propondo um desenvolvimento nos limites suportáveis para a terra e a redução da pobreza. Garantir a disponibilidade de recursos naturais renováveis e não renováveis, não ultrapassar o limite de absorção da biosfera de gases de efeito estufa e outros poluentes e a erradicação da pobreza são os três grandes desafios da sustentabilidade. Para isso requer-se a diminuição do consumo excessivo e supérfluo e a redução das desigualdades sociais.

A sustentabilidade passa por uma mudança de hábitos nos padrões de consumo, principalmente dos que gastam e consomem em demasia. Os governos e as sociedades, especialmente as que vivem sob a lógica da gastança capitalista precisam rever seus conceitos e posturas desenvolvimentistas. Neste sentido, Mahatma Gandhi disse, o mundo tem recursos suficientes para atender às necessidades de todos, mas não à ambição de todos.

Fonte: Texto-base da CF/2011.

A CF/2011 tem como objetivo contribuir para a conscientização da comunidade cristã e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participarem dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta.

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