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A evangelização no contexto atual (I)

A equipe de preparação do I Fórum da Igreja no RS, em 2007, provocou os institutos de teologia a realizarem uma pesquisa. Coube ao Itepa averiguar o que a sociedade pensa da Igreja Católica. Esta incumbência suscitou um grupo de pesquisa que está se dedicando a investigar caminhos da “Evangelização no contexto atual”. As constantes mudanças criaram visões diferentes do modo de proceder no mundo e conduzir a própria vida. Para captar as compreensões que a sociedade tem da Igreja Católica, os pesquisadores utilizam a técnica dos grupos focais, coletando a opinião das pessoas entrevistadas durante a conversa no grupo, o que é seguido de análise e sistematização.

São muitas as observações. Destacamos algumas, citando a fala das pessoas nos grupos focais.

a) A Igreja Católica possui uma linguagem difícil e falta proximidade: A Igreja, em certos momentos, dificulta o fiel [...]. O vocabulário é tão desconhecido que não é possível entender o padre. Trata-se de uma análise muito grande e é difícil entender o que está sendo dito. As pessoas estão na missa, mas não estão entendendo nada. O que acho muito engraçado é que o padre ainda não decorou [...]. O padre ajuda quando conhece e visita as pessoas.

b) A Igreja também aparece como compreensível: A Igreja Católica é mais liberal pelo fato de não impor às pessoas uma obrigação de estar ali. Que outras igrejas exigem e cobram [...]. A Igreja poderia formar o caráter das pessoas.

c) A pessoa do padre ocupa espaço central nas reflexões, porém vive um período de transformação. Antigamente, era tido como representante de Deus. Hoje em dia não tem mais isso. O padre é um ser humano normal [...]. Outro afirma: Acho que existe falta de preparo. As pessoas não buscam respostas filosóficas para as questões. Elas querem respostas concretas.

d) A Igreja Católica acerta quando ajuda as pessoas a terem fé. Essa deixa o ser humano mais bondoso, mais ativo, se coloca mais no lugar das outras pessoas. Outra pessoa afirma: O maior vazio que há é o vazio de alguém que conheceu Deus e o abandona. Aí nunca mais se completa, não tem jeito, você pode fazer o que quiser, como namorar, usar drogas, mas nunca mais preenche aquele vazio. E aí então não voltei por amor, voltei na dor. Graças a Deus que eu voltei! Deu tempo de me reconciliar com Deus. Outra pessoa afirma: A Igreja é feita de comunidades, as pessoas fazem a Igreja. Não são simplesmente blocos de concreto.

As observações são provocantes, ambíguas e apontam para um universo que requer discernimento e ousadia, a fim de responder no Espírito e segundo o projeto de Jesus de Nazaré. Este foi um dos desafios deixados pelo Papa João Paulo II: Devemos procurar abrir-nos, o mais possível, à superior iluminação do Espírito Santo, para descobrir as orientações da sociedade contemporânea, reconhecer as necessidades espirituais mais profundas, determinar as tarefas concretas mais importantes, os métodos pastorais a adotar e, assim, responder de modo adequado às expectativas humanas.

A pesquisa continua em fase de sistematização e análise dos dados coletados.

Pe. Ivanir Rodighero, professor do Itepa e coordenador do grupo

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