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(Des)Cobrindo a estética
juvenil: possibilidade e esperança
Retratos de uma pesquisa
A beleza é o lugar teológico para o
diálogo com a pós-modernidade
(Vattimo)
Inspirado
pelo livro de Ester e imbuído pelo contato com a juventude da cidade
de Getúlio Vargas, Diocese de Erexim, é que construí uma pesquisa
que tem como objetivo entender as manifestações estéticas da
juventude e, além disso, aguçar o olhar para o que está por trás
dessa maneira de aparecer publicamente.
Há consenso de que precisamos saber
ler essa realidade e que ela vai apontar pistas emergentes no que
diz respeito ao olhar estético e também teológico-pastoral.
A sexta-feira à
noite marca o início daquilo que irá se repetir, com mais ou menos
intensidade, no sábado, no domingo, em alguns feriados e suas
vésperas: carros, muita música alta, muitos risos, gritaria, muitos
encontros, muitos grupos reunidos nas praças, muita bebida e,
principalmente, muita juventude vestida das mais diversas formas,
das mais diferentes cores e tamanhos (cada vez menores), mostrando
músculos, barrigas, seios...
Diante dessa
realidade é que pesquisamos esse tipo de manifestação através de 80
questões respondidas por 189 jovens. Questões essas que dizem
respeito a um olhar para a plástica e a beleza,
para a moda e a dieta, para as
academias de ginástica, para os cabelos, as tatuagens e os piercings,
para a música, a noite e a avenida, para a velocidade e para
as roupas de marca, entre outras... As respostas foram as mais
diversas e novas possíveis. Muitas contradições próprias da
juventude e paradigmas culturais convencionados, socialmente
questionados.
Essa pesquisa é
iluminada pelo livro de Ester. Mulher
sedutora e encantadora que conhecia
sua beleza. Usa desse instrumento para libertar seu povo. Junto com
o tio Mardoqueu, traça um projeto de vida que tem como sujeito o
povo judeu com data e hora marcada para ser exterminado. Seduzindo o
rei Assuero, Ester pede intercessão pelo seu povo. O rei,
anestesiado pela beleza, dá a ela o seu desejo. E o desejo era a
vida do seu povo (7,3). Busca-se na figura feminina, excluída da
cultura persa-oriental, inspiração para nosso tempo. Tempo que
aponta para um novo paradigma estético de beleza do corpo. O que
estaria por trás deste tempo, do ponto de vista estético, que
configura a cabeça dos jovens? Ou o que configura a cabeça dos
jovens fazendo com que haja uma mudança radical desse tempo? A
beleza tem alcançado parâmetros grandiosos. Por outro lado, a
coisificação do corpo atinge, também, níveis surpreendentes. Ester
é, contemporaneamente, uma educadora para a juventude sob esse
olhar. Sua beleza sempre esteve a serviço da vida e da justiça.
Apesar dos nossos
constantes conservadorismos exacerbados que julgam as manifestações
juvenis com bastante severidade, há que se reconhecer que neles
também está Deus. Na medida em que negamos essas manifestações
estamos negando o divino que se apresenta através deles. A tentativa
e o esforço de descobrir a estética juvenil carregam em seu bojo uma
teologia que se apresenta a partir da realidade concreta em que essa
categoria aparece socialmente.
Maicon A. Malacarne, seminarista da Diocese de Erexim,
aluno do 4º ano do curso de Teologia do Itepa e assessor da Pastoral
da Juventude |