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Brasília
sedia Assembleia da CNBB e Congresso Eucarístico
A 48ª Assembleia Geral da CNBB
foi realizada de 3 a 13 de maio, em Brasília. Duas circunstâncias
motivaram o episcopado brasileiro a escolher a capital federal, a
comemoração do cinquentenário de Brasília e a realização do 16º
Congresso Eucarístico Nacional (CEN), de 13 a 16 de maio. Teve peso
ainda a importância da capital política do País e a certeza de ter o
Congresso Eucarístico uma forte linguagem de evangelização para essa
metrópole de 2.600.000 habitantes. A memória de personagens do
início de Brasilia, muitas conhecidas no mundo político e milhares
desconhecidas, embora retratadas nas construções cinquentenárias,
revevestiu-se do sentimento de gratidão e tornou-se ação de graças
ao Deus da vida e Senhor da história.
Dias virão em que o povo
sentirá fome da Palavra (cf. Am 8,11)
Discípulos
servidores da Palavra de Deus e a missão da Igreja no mundo foi o
tema central da Assembleia. Em sua mensagem, os bispos exortam
os discípulos e as
discípulas de Jesus do nosso tempo a se deixarem alcançar pela
palavra de seu Mestre. Como aos primeiros, lá na Palestina, Ele lhes
dirigiu o olhar e a palavra (cf. Mt 4,18-22). Eles, ao ouvirem sua
palavra, acolheram sua Pessoa: seguiram-no. Foi um começo. Muitas
vezes, depois, tiveram que renovar os motivos para o seguimento.
Naquelas situações, a Palavra do Senhor não lhes faltava:
escutavam-no. Deixavam-se ensinar por Ele. E os discípulos
amadureciam no seguimento e nos seus vínculos pessoais com o Senhor.
Esta palavra continua viva na história e chegou até nós, na terra de
Santa Cruz.
Em outro trecho da mensagem é dirigido um
louvor a Deus por tudo o que se fez e se faz no Brasil por meio do
trabalho evangelizador com a Bíblia. A Assembleia faz um apelo para
que, nas dioceses, paróquias e comunidades seja facilitado
o acesso à Bíblia, ao estudo bíblico
e a vivência da mensagem revelada.
Os bispos
disseram ser muito importante tudo o que já está sendo feito, mas
que é preciso dar um novo passo. Trata-se
de compreender que a Palavra de Deus é a alma de toda a ação
evangelizadora da Igreja. Propõe-se uma verdadeira “Animação Bíblica
da Pastoral”. Assim a Palavra de Deus contida na Sagrada Escritura
suscita, forma e acompanha a vocação e a missão de cada discípulo
missionário de Jesus Cristo e orienta as ações organizadas da
Igreja. Dessa forma, além de ser “alma da teologia” (DV 24), a
Palavra de Deus torna-se também a “alma da ação evangelizadora da
Igreja” (DP 372; DAp 248). É hora, pois, de uma formação bíblica
mais intensa, profunda, sistemática e corajosa; de um contínuo e
fascinante contato com a Palavra de Deus, que é Jesus Cristo; de uma
forte e vibrante ação evangelizadora a partir da Palavra de Deus.
Com a Bíblia na mão, a Palavra de Deus no
coração e com os pés na missão, somos convocados à prática da
Leitura Orante. Feita com todo empenho em nível pessoal e
comunitário, ela vai nos educar na fé proporcionando uma catequese
bíblica, que forma discípulos apaixonados por Jesus Cristo. Ela nos
leva a celebrar a esperança na liturgia, que dispõe para plena
comunhão com Deus, que se realiza na Eucaristia. Ela, enfim,
fortalece-nos na missão de anunciar a Palavra a todos os povos por
meio de uma caridade criativa. Quando pessoas e comunidades são
transformadas pela Palavra, multiplicam-se na Igreja e na sociedade
frutos de amor, solidariedade, justiça e paz.
As pastorais, movimentos, organismos,
associações, novas comunidades, círculos bíblicos, grupos de família
e outras expressões comunitárias são convidadas a fazer um
verdadeiro mutirão de Leitura Orante em seus diversos métodos.
Dar-vos-ei pastores segundo o
meu coração (Jr 3, 15)
Durante a assembleia, os bispos
saudaram a todos os presbíteros do Brasil, que mais diretamente
compartilham com eles o amor a Jesus Cristo e à Igreja na tarefa de
evangelizar o povo de Deus. Agradecemos a total dedicação e amor
a Jesus Cristo e à missão da sua Igreja, na qual vocês vivem a
vocação e dão seu testemunho sacerdotal. Conhecemos de perto seus
sacrifícios que, por vezes, alcançam o heroísmo na busca cotidiana
de fidelidade à missão evangelizadora, movidos pelo ardor
missionário para animar comunidades e dialogar com os mais diversos
ambientes, destaca a mensagem.
Fazem também referência ao
comportamento abusivo de alguns presbíteros e que atingiram
recentemente a credibilidade dos sacerdotes e a grandeza do dom que
lhes foi confiado. Amargura e sofrimento, confusão e, mesmo
indignação, invadiram o íntimo de muitos cristãos e das pessoas que
amam a justiça, a verdade e a coerência de vida. Com humildade,
reconhecemos que estamos em tempo de purificação, recordando que,
diante do pecado, nos são dados como remédios a conversão, o perdão
e a reparação às vítimas; diante do crime, as penalidades da lei
civil e canônica; e diante de patologias, adequadas terapias.
Durante a assembleia
estiveram em pauta muitos outros assuntos, que podem ser conferidos
na pagina da CNBB na Internet
www.cnbb.org.br.
Fica conosco,
Senhor
O 16º Congresso Eucarístico Nacional
aconteceu nos dias 13 a 16 de maio em Brasília e teve como lema,
Fica conosco, Senhor ( Lc 24,29). Centenas de bispos, padres,
seminaristas, religiosos e religiosas e muitas caravanas de fieis de
todas as regiões brasileiras estiveram reunidos em torno da
Eucaristia, pão da unidade. O Congresso foi oficialmente inaugurado
no dia 13, com uma missa e o anúncio do Jubileu de Brasília,
presidida pelo enviado do Papa Bento XVI, o cardeal gaúcho, dom
Cláudio Hummes. A celebração foi na Esplanada dos Ministérios onde
se encontrava a cruz utilizada na primeira missa, há 50 anos, por
ocasião da fundação da capital federal. Uma multidão de fiéis,
vindos das diversas paróquias de Brasília se aglomerava no amplo
espaço aberto e entre as autoridades e convidados encontrava-se o
presidente da República em exercício, José Alencar.
Destaques
Fizeram parte do CEN os simpósios
teológico e de bioética, que tiveram mais de 2 mil inscritos e
contaram com a presença de especialistas para o debate. No
encerramento do Simpósio de Bioética, secretário da CNBB, dom Dimas
Lara Barbosa, fez o lançamento do livro Questões de bioética,
o qual faz parte da série de estudos da CNBB, conhecida como Coleção
Verde.
A missa da solidariedade com os
excluídos, em especial, com os catadores de materiais recicláveis e
moradores de rua, foi um dos destaques do 16º CEN. Foi organizada
pelo arcebispo de Brasília, dom João Braz Aviz, no dia 14, na
catedral Nossa Senhora de Fátima. Dom Cláudio, saudou a todos os
desempregados, moradores de rua, pobres e flagelados de todo o
Brasil ali representados, em nome do papa Bento XVI que enviou a
seguinte mensagem, Deus ama a todos assim como eu os amo.
Após a
missa foi servido um almoço beneficente para mais de 1.300 pessoas.
Os presentes tiveram a oportunidade de tirar documentos, cortar o
cabelo e barba, fazer teste de glicemia, verificar o tipo sanguíneo,
obter assessoria jurídica, entre outras atividades. Todos estes
serviços contaram com a ajuda de muitos voluntários e parcerias com
instituições.
Durante a missa, o cardeal dom
Claudio, afirmou que o Brasil caminha rumo ao progresso, mas ainda
tem muito “chão” a percorrer no desenvolvimento social e humano. O
Brasil, hoje é reconhecido internacionalmente como um país de ponta
em muitos aspectos, mas no social, não. Essa é uma realidade que
precisamos mudar. A menor parcela da população é rica e a maioria é
formada por pobres e marginalizados. Quem é marginalizado tem fome e
quem tem fome tem pressa, afirmou o cardeal.
Na manhã de sábado, no Pavilhão de
Exposições do Parque da Cidade/DF, mais de mil crianças tiveram seu
primeiro contato com Jesus eucarístico. A missa da 1ª Eucaristia foi
um dos momentos altos do 16º CEN. Mais de 200 catequistas de 69
paróquias do Distrito Federal foram envolvidos no processo de
preparação das crianças para esse momento.
Após quatro dias de oração, adoração e vivência eucarística,missas,
debates, oficinas, conferências, formações, eventos culturais e
feiras, o16º Congresso encerrou suas atividades, com uma grandiosa
celebração na Esplanada dos Ministérios.
O
sol forte e o calor de mais de 30 graus não intimidou mais de 90 mil
pessoas que lotaram a Esplanada.
Munidos de fé e de guarda-sóis, compareceram à celebração de
encerramento, que foi celebrada por Dom Claudio e concelebrada por
centenas de bispos e sacerdotes. O cardeal afirmou que a Eucaristia
é o centro da Igreja e da vida dos cristãos e apontou Jesus
Eucarístico como força do discípulo missionário. Lembrou também a
figura dos mártires brasileiros e disse serem eles uma das maiores
glórias da Igreja do Brasil. O enviado do papa ressaltou que o
encerramento do Congresso representa um novo impulso para
anunciarmos o Cristo a todas as criaturas.
Dom Geraldo Lyrio Rocha agradeceu a
presença de todos e, em particular, a dom João Braz Aviz pela
acolhida, dedicação, ardor e zelo manifestados durante o congresso.
Ele também anunciou que o 17º CEN será em Belém do Pará por ocasião
do 4º centenário da cidade de Belém.
Sob uma chuva de pétalas de rosas vermelhas jogadas
por dois helicópteros do exército brasileiro foi concluído o
Congresso Eucarístico de Brasília. |