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Relatório da CPT registra aumento dos conflitos e da violência no campo

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) surgiu em plena ditadura militar no ano de 1975. Atualmente a CPT faz um trabalho de base na defesa dos direitos dos trabalhadores, atuando junto aos movimentos sociais. Desde 1985, como forma de denúncia da violência e das mortes geradas por conflitos pela posse da terra, a entidade publica o relatório anual, Conflitos no campo Brasil. Em 2002, a CPT passou a incluir em sua documentação os conflitos gerados também pelo uso da água. Neste mesmo ano, o relatório foi reconhecido como publicação científica pelo Instituto Brasileiro de Informação e Ciência e Tecnologia.

O último relatório revela que o ano de 2009, registrou um aumento no número de conflitos por terra, por água, trabalhistas e violência no campo.  Os conflitos por terra registraram um aumento de 100 casos, comparando o ano de 2008 com 2009.

O dado que chama mais atenção é o número de pessoas torturadas, que passou de seis em 2008, para 71 em 2009. Só no Rio Grande do Sul, onde aconteceu uma forte ação num processo de desapropriação, 13 pessoas sofreram agressões, o que foi considerado tortura. A violência, porém, não fez os movimentos sociais recuarem, pois as ocupações de terra aumentaram, envolvendo aproximadamente mais de 4.000 pessoas. O estado líder de violações aos direitos humanos no campo é o Pará. Dos 25 assassinatos registrados no documento, oito foram cometidos lá. Mato Grosso é o segundo, com quatro mortes. Seguem os estados de Mato Grosso do Sul e Roraima.

Para dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás e conselheiro permanente da CPT, há uma má vontade, por parte do judiciário, em relação à classe dos trabalhadores do campo. A justiça é muito lenta em condenar os mandantes ou faltosos do lado dos latifúndios e do poder econômico, mas muito rápida quando se trata de julgar um trabalhador rural. Segundo ele, o modelo econômico em vigor prioriza o crescimento, o desenvolvimento e põe em segundo lugar o social que é a reforma agrária, a saúde e a educação.

 

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