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01.08.2009
Visita missionária marca os 25 anos do Projeto Igrejas-Irmãs

Desde 1984 as dioceses de Passo Fundo/RS e Balsas/MA são Igrejas-Irmãs, com o objetivo de incentivar a comunhão e a participação entre duas igrejas, através de recursos humanos, pastorais e financeiros.

Desde o início do projeto as duas dioceses mantêm um intenso intercâmbio missionário com visitas e a presença de leigos, religiosas e padres. Visando dar continuidade ao projeto existente, que completa 25 anos de existência, foi realizada no período de dois a doze de julho a visita missionária à Diocese de Balsas. Para isto foi composta uma equipe com 5 integrantes buscando responder à solicitação da Coordenação Diocesana de Balsas, no sentido de oportunizar uma maior troca de experiências a partir das necessidades da própria diocese. Em resposta a esta solicitação foram enviados o bispo auxiliar Dom Liro Vendelino Meurer, o padre Fábio de Morais, assistente dos teólogos e oe seminarista Henrique Colet (pela formação), Odete Silveira  pela coordenação da Cáritas Diocesana e Edivane Rodrigues pela pastoral da juventude).

A viagem missionária, de ônibus, durou aproximadamente 52 horas, todavia, o cansaço foi amenizado pela expectativa da equipe em conhecer a nova realidade que foi sendo descoberta ao longo dos dias em que lá permaneceu.  Devido a grande extensão da diocese de Balsas e visando aproveitar bem o tempo, a coordenação diocesana preparou uma programação extensa e intensa, o que contribuiu para que a equipe missionária pudesse ter uma visão de conjunto da diocese.

Momentos muito significativos foram marcados por uma realidade totalmente diferente em que certas características, como o calor intenso, a distância grande entre paróquias e comunidades, as condições precárias das estradas, acabaram se revelando em desafios a serem superados.

Programa da visita

De acordo com a programação prevista a visita abrangeu várias realidades e localidades da diocese, com participação em celebrações diárias, entrevistas nos meios de comunicação local como rádios e TV, encontros com lideranças de comunidades, visitas a vários projetos sociais, escolas de formação de lideranças, bairros, casas religiosas, fazenda da esperança, paróquias, capelas e famílias.

A partir destas experiências, algumas características foram sendo delineadas e identificadas. Da mesma forma foram muitas impressões destacadas pelo conjunto da equipe. Foi de tal forma marcante que é impossível não mencionar a acolhida dispensada em cada lugar visitado. Era calorosa, evoluía na medida em que íamos nos conhecendo através das celebrações, partilhas, do interesse em contar sobre a própria vida, as formas encontradas para superar as dificuldades surgidas no dia-a-dia da família, da comunidade e da Igreja, desataca o seminarista Henrique Colet.

Junto com as perguntas era possível perceber a curiosidade e a vontade de saber mais da Igreja-Irmã de Passo Fundo. Em diversos momentos os integrantes da equipe puderam trocar experiências em torno de projetos comuns, como a Cáritas, pastoral da juventude, plano de evangelização, escolas de formação, projetos de formação seminaristica e projetos sociais, etc. Frente às várias colocações foi possível perceber algumas semelhanças entre as duas realidades, como falta de lideranças, de vocações sacerdotais e religiosas, as poucas condições financeiras, a fragmentação política. Neste sentido, no Maranhão ainda impera a política do Coronelismo.

Foi possível ver e vivenciar o ânimo, o esforço pela dinamicidade vivendo a fé e motivando a participação, enriquecida pelos cantos, pela devoção, pela espiritualidade, pela esperança de um novo céu e uma nova terra. Convém ressaltar a expressiva valorização do projeto Igrejas-Irmãs por parte do povo Balsense. As comunidades valorizam muito o trabalho dos padres que por lá passaram e contribuíram na caminhada de evangelização. Foi possível sentir a gratidão e o carinho que as mesmas têm pelos padres Egon e Nadir, que continuam trabalhando na diocese. A equipe quer registrar aqui o clamor das comunidades para que mais padres assumam este projeto.

Neste sentido, está havendo um novo despertar por parte dos leigos. A senhora Rita Rigo, natural de Marau, já está em Balsas, e pelo menos por um ano quer realizar uma profunda experiência missionária junto àquele povo. Além da Rita, outros leigos também já realizaram esta experiência.

Perspectivas para o futuro

Na avaliação final da visita missionária, junto com dom Enemésio, bispo atual e a coordenação de pastoral da diocese de Balsas, foram indicados alguns desafios.

  • Conscientizar as paróquias e comunidades que o projeto Igrejas-Irmãs não se reduz apenas ao envio de padres para lá trabalharem. O projeto é mais amplo. É preciso desenvolver um intercâmbio maior na troca de experiências, no que tange aos projetos pastorais, às escolas de formação, elaboração de subsídios, assessorias...

  • Intensificar o intercâmbio de informações a partir dos meios de comunicação, como rádios, jornais das dioceses, boletins eletrônicos...

  • Retomar a experiência dos seminaristas da teologia para realizarem, no período de férias, seu estágio pastoral junto às comunidades de Balsas.

Na avaliação foram levantados alguns compromissos concretos, como a definição do dia das Igrejas-Irmãs, no 3º final de semana de setembro, como uma oportunidade para falar sobre o projeto missionário e a realidade das dioceses. Neste dia é realizada a coleta para a Igreja Irmã. Também ficou encaminhado que a visita da equipe missionária da Diocese de Balsas a Passo Fundo está agendada de 17 a 24 de outubro de 2010.

O batismo nos impele à missão

Assim como Jesus foi missionário, a Igreja é missionária. Ttodavia, a Igreja somos nós. Nós, que somos o novo povo de Deus a partir do batismo temos o grande desafio de assumir nossa vocação de discípulos missionários do Senhor. Assim, cada batizado é chamado a responder ao mandato de Jesus: “Ide por todo o mundo... Estarei convosco todos os dias”.

Recordando as palavras do saudoso Dom Franco Masserdoti, 3º bispo de Balsas, a quem o povo recorda como “Pai dos pobres”: “A missão sente a necessidade de acentuar sua dimensão de diálogo, testemunho, solidariedade com os pobres, ‘ovelhas sem pastor’ (Mt 6,34), exigindo a inserção nos meios populares. O ponto central da inserção é o testemunho da pobreza de Cristo, através de três fatores: estar presente fisicamente no meio dos pobres; repartir com eles os bens; solidarizar-se e comprometer-se com eles e por eles”. (A Missão a Serviço do Reino)

Fixando o olhar em Cristo (Hb 12,1-2), supremo pastor (1Pd 2,25) e missionário, haveremos de segui-lo caminhando com Ele, comungando com seus sentimentos e imitando suas atitudes, ressalta o padre Fábio de Morais.

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