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Semana da Família proporciona reflexão sobre pessoa,
família e sociedade

Em agosto, a Igreja celebra o dia do padre, dos pais, dos religiosos e religiosas, dos leigos e catequistas. Com o dia dos pais, no segundo domingo, inicia-se a Semana Nacional da Família que, neste ano, tem como tema,  Família, pessoa e sociedade, que já faz parte do calendário das paróquias, porque a família é um bem de todos,  das pastorais, movimentos, serviços e organizações. As Igrejas, em especial, dirigem um olhar atento à família, patrimônio da humanidade e a consideram um dos eixos transversais da evangelização. Por esta razão, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB preparou o subsídio Hora da Família/2011, com encontros, cantos e orações que ajudam os pais na sua missão de educadores. O jornal PD publica, nesta página, uma pequena síntese do tema.

Pessoa

O ser humano descobre-se pessoa na relação com o criador. Existe porque é criado, querido, amado. Não se faz por si mesmo, por isso a pessoa é sagrada, portadora de uma dignidade inviolável. O papa João Paulo II, em seu livro Amor e responsabilidade (1960), já afirmava que Ninguém tem o direito de servir-se de uma pessoa, de usá-la como um meio nem mesmo Deus seu criador.

Toda a pessoa é singular, insubstituível, não numerável, subsiste em si e por si, não é parte de uma realidade maior, é um todo. Por ser um indivíduo possuído de razão e inteligência, a pessoa é um sujeito único, irrepetível e tem um valor inestimável.  Criado à imagem e semelhança de Deus é chamado a ser comunhão, a realizar-se e a ser feliz.

Família

Lugar por excelência, onde se aprende a amar, conviver e abrir-se para os outros, é nela que pais, mães e avós ensinam e testemunham a fé cristã, formam os filhos e os fazem mais solidários.

A vocação da família se expressa na aliança da Trindade com o ser humano, na continuidade e garantia da vida. Concretiza o projeto de Deus, que é vida e dignidade. No amor e na fidelidade da família se encontra o sinal visível e palpável, pelo sacramento do matrimônio, do amor e da fidelidade do próprio Deus. É o espaço e o ambiente ideal para aprofundar e formar a consciência vocacional das crianças, dos adolescentes, dos jovens, enfim, a responsabilidade vocacional de todos. Diz João Paulo II que os pais servirão verdadeiramente à vida dos seus filhos, se os ajudarem a fazer da própria existência um dom, respeitando as suas escolhas maduras e promovendo com alegria cada vocação, mesmo a vocação religiosa e sacerdotal.

Embora, em nossos dias, muitos homens e mulheres não assumam sua responsabilidade de pais, mesmo que muitos filhos e filhas estejam abandonados e excluídos de um aconchego familiar, como cristãos temos a responsabilidade de anunciar e propor à família seus valores fundamentais, para que a vida não se perca e o lar seja sempre lugar do acolhimento, da fraternidade , da ajuda mútua e do perdão, seguindo o exemplo da família de Nazaré.

Sociedade

Há uma estreita relação entre família e sociedade, que nos últimos tempos está conturbada e ameaçada. As constantes mudanças na sociedade tiram de foco a prioridade do cuidado com a família, fragilizando os valores fundamentais e dificultando a convivência de seus membros.Em nosso país, parte expressiva da população está afetada por difíceis condições de vida que ameaçam diretamente a instituição familiar. A condição de discípulos missionários de Jesus Cristo impele os cristãos a trabalhar para que tal situação seja transformada e a família assuma seu ser e sua missão, no âmbito da sociedade e da Igreja.

Embora seres únicos e indissolúveis, precisamos conviver com os outros numa relação dinâmica e harmoniosa capaz de frutificar, respeitando as diferenças num somatório de benefícios que atinjam a todos coletivamente. Neste contexto, a família surge como um dos mais importantes alicerces para transformar a sociedade. A instituição familiar ferida em seus propósitos cristãos precisa alavancar uma reação inversa, nutrir-se de forças substanciais e promover o resgate da sociedade idealizada por Deus, formadora de valores humanos indispensáveis para uma vivência no amor e na fé.

Todos os membros da família, conforme suas aptidões e carismas, são convidados a partilhar e construir, sucessivamente, a união das pessoas em sociedade, desde os menos favorecidos até atingir o todo da humanidade, numa luta incessante e, muitas vezes inglória, porém capaz de incutir a paz e fazer brilhar a esperança em todos os momentos que a vida oferece.

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