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01.09.2009
Experiências e
visitas missionárias fortalecem compromisso com as CEBs
Do ventre da Terra o grito que
vem da Amazônia, foi o lema que animou o 12º Encontro das
Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), realizado de 21 a 25 de
julho/2009, em Porto Velho/RO.
O encontro foi uma fantástica
experiência de fé, de oração, fraternidade, convivência e
comunhão com diversas culturas e religiões. O grito que vem da
Amazônia é o grito do planeta terra, pedindo socorro, por causa
da destruição e devastação. Tomar consciência do aquecimento
global, provocado, em parte, pelo desmatamento irracional, não é
uma realidade do futuro. Já estamos dentro dela! O desequilíbrio
climático já é sentido.
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Mais de três mil delegados, de
diversos recantos do país foram acolhidos nas paróquias da
Arquidiocese de Porto Velho. Nem mesmo o cansaço de dias nas
estradas tirou o ânimo das lideranças que, com entusiasmo,
participaram de vários momentos fortes. A grande concentração
aconteceu no ginásio do Sesi, denominado “Porto”. Os seminários
de estudo, que reuniam em torno de 250 pessoas, foram realizados
em 12 escolas, chamados de “Rios”, e as reflexões em pequenos
grupos, chamadas de “Canoas”.
Entre os momentos mais
significativos do Encontro pode-se citar a Cerimônia de
abertura, realizada na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
A proposta metodológica do
trabalho deu-se através do método Ver-Julgar-Agir. A parte do
Ver iniciou com a Celebração dos Povos Indígenas, que
fizeram seus rituais de orações. A seguir os
participantes foram para os |

Simone, Edivane, Raquel e Odete,
delegadas da Diocese de Passo Fundo |
“Rios”, onde assessores ajudaram na reflexão do dia,
contextualizando a realidade da Amazônia. Em sequência,
caminharam em memória dos mártires, percorrendo 3 quilômetros de
estrada de chão, passando por famílias ribeirinhas, pelo
cemitério Santo Antonio e pela mata. Toda esta extensão, em
pouco tempo, poderá ser alagada pela barragem da usina
hidrelétrica de Santo Antonio, no Rio Madeira. Os caminhantes
contemplaram, com tristeza e indignação a Criação de Deus sendo
destruída pelas máquinas, pelo homem, tudo em função do
capitalismo.
No dia seguinte, organizados em
grupos, visitaram muitas realidades locais como, comunidades
indígenas, comunidades agrícolas, extrativistas, ribeirinhas,
casa de detenção, hospitais, casa do menor, casa de recuperação
de dependentes químicos e com deficiência, bairros de Porto
Velho e comunidades afro-descendentes. O Jornal PD destaca
depoimentos e experiências missionárias vivenciadas pelas
delegadas da Diocese de Passo Fundo.
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Oca do povo indígena |
“Minha missão foi junto a
População Indígena. Eles são tão sábios! A vida simples, os
valores e a cultura deles está bem acima da nossa sociedade
utilitarista, consumista, imediatista e individualista. Com eles
aprendemos o que é viver em comunidade, o que é solidariedade,
fraternidade, bem comum... Essas missões são experiências de
vida fantásticas, onde crescemos espiritualmente e amadurecemos
como seres humanos, onde o amor de Deus se revela em Graça e
misericórdia e os dons do Espírito são abundantes...” Raquel
Vanz.
“Visitar as comunidades
Ribeirinhas foi uma experiência marcante. Viajamos
aproximadamente 3 horas de ônibus e uns 30 minutos de barco pelo
rio Jamari, afluente do rio Madeira, até chegarmos na
comunidade do distrito de São Marcos. Fomos muito bem acolhidos
pela comunidade com um |
delicioso almoço. Visitar é
saber olhar, escutar e conhecer, e de fato foi isso o que
fizemos. Divididos em pequenos grupos tivemos a oportunidade de
conhecer a realidade local, conversar com os pescadores,
conhecer a mística da juventude ribeirinha, conhecer o posto de
saúde, a escola, apreciar os bonitos artesanatos... O lugar é
lindo, tranquilo, um verdadeiro paraíso, assim como o rio. É uma
pena que nem todos pensem assim.
Uma grande ameaça a este povo que
sabe cuidar respeitosa e amorosamente estas belezas da criação,
é a construção de usinas hidrelétricas que, além do problema da
devastação contribuem para o empobrecimento da comunidade. Nós,
missionários/as de todo o Brasil, unimos as nossas vozes às do
povo ribeirinho e ousamos gritar e clamar por justiça, por vida,
respeito à dignidade humana, a terra e a água. Como CEBs no meio
dos simples e pequenos, reafirmamos nossa teimosa opção pelos
pobres e pelos jovens, resistindo e lutando para superar nossas
dificuldades, sustentados pela fé no Deus que se revelou como
Trindade, a melhor comunidade”. Edivane Rodrigues.
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Foi na Associação Casa Família
Rosetta, que realizei minha missão, entidade sem fins
lucrativos, que tem com objetivo a acolhida, a reabilitação, e a
reinserção social de pessoas, através de programas baseados no
respeito, solidariedade, valor do ser humano, segundo a visão
cristã. Atende crianças e adolescentes com paralisia cerebral e
promove tratamento para jovens e adultos dependentes de
substâncias psicoativas.
Visitamos primeiro as crianças e
adolescentes, no Centro de Reabilitação Neuro-psico-motor Paulo
VI. Fomos acolhidos pelos diretores e as próprias adolescentes,
em cadeiras de roda. Nos encantamos com a dedicação dos
profissionais com aquelas pessoas. Assistimos a um teatro
realizado pelos deficientes, com a ajuda dos professores. Também
ouvimos depoimentos tanto dos profissionais, como dos
reabilitandos. Foi emocionante! Choramos! |

Crianças indígenas |
A fonoaudióloga, ao referir-se a
eles, assim se expressou: “A gente, quando chega aqui, acha que
dá amor. É o contrário, nós é que recebemos amor e apoio”.
A seguir nos dirigimos para a
Comunidade Terapêutica Porto da Esperança, Município de Candeias
do Jamari, entidade que acolhe, após uma triagem, os dependentes
de substância psicoativas, ajudando-os na sua recuperação,
resgatando a cidadania e sua inserção social, que são as três
etapas do trabalho. Através da fé, da oração diária, do
trabalho, da entre-ajuda, do acreditar em si mesmo, os
dependentes vão resgatando sua cidadania, mudando seu sentimento
de incapacidade para capacidade. Recentemente, nessa mesma
Comunidade foi inaugurada uma casa para tratamento de mulheres,
já conta com três dependentes químicas.
Mais uma vez nos emocionamos
ouvindo depoimentos de vida, de coragem, de luta em busca da
dignidade humana. Testemunho de quem acredita na possibilidade
de recuperação de cada pessoa, devolvendo-lhes liberdade,
dignidade e alegria de viver. Missão é também escutar. Foi uma
riqueza, uma lição de vida.”. Odete Pozzan Schmitz.
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Produtos da região
amazônica |
“A experiência de missão que
realizei foi de visita às famílias na Paróquia de Nossa Senhora
do Amparo, que é formada por ocupações. O surgimento desta
paróquia teve como objetivo dar acompanhamento as diversas áreas
de ocupações surgidas no decorrer dos anos. Fomos desafiados a
realizar um dia de visitação nas comunidades, umas já formadas,
outras em processo de chegada. As famílias que visitei chegaram
no local há três meses, as mesmas já foram acolhidas pela Igreja
e já tiveram contato com algumas pastorais, como, pastoral da
criança, da visitação e acompanhamento das irmãs religiosas. São
300 famílias de diversos locais da região, entre elas, famílias
ribeirinhas. Já são visíveis as consequências da construção da
barragem no Rio Madeira. A situação é de extrema pobreza e
abandono do poder público.
Você sabia que 80% das famílias de
Porto Velho, dos bairros da Capital |
não possuem saneamento básico?
Então, imagine a situação das que vivem nas ocupações,
além dos bairros. Nossa visita, como missionários, foi
significativa e nos fortaleceu na opção das CEBs”. Simone
Zanetti.
No quarto dia do Encontro, foram destaque os
testemunhos proféticos de três grandes nomes, defensores da
vida, Dom José Maria Pires (Dom Zumbi), arcebispo emérito da
Paraíba, defensor das causas dos povos negros. O religioso de 90
anos ressaltou que a luta por igualdade ainda se faz necessária
e que cada cristão deve gritar para acabar com as diferenças que
afastam os irmãos. Marina da Silva, a seringueira que hoje é
senadora da República e defensora do meio ambiente, e Dom Pedro
Casaldáliga, que não esteve presente fisicamente no evento, mas
deixou uma mensagem gravada em audiovisual, abordando diversos
aspectos de sua caminhada e das CEBs. No último dia do Encontro
foi lida a Carta às Comunidades com os compromissos a serem
realizados. A celebração de envio para a Missão encerrou o 12º
Intereclesial. “De cada lado do Rio de água viva estão plantadas
as Árvores da Vida; elas darão frutos doze meses por ano, todo
mês elas frutificam e suas folhas servem para curar as nações”.
A partir deste encontro, renova-se o compromisso, também como
Igreja Diocesana, na opção pelas comunidades eclesiais de base. |