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01.09.2009
A experiência de
Regiões Pastorais na Diocese de Chapecó
Diante
da dificuldade sentida pelas estruturas paroquiais em atender
aos desafios da evangelização do mundo urbano, faz-se necessário
repensar urgentemente novos esquemas para o anúncio do
Evangelho. Há algum tempo, a Diocese de Chapecó vem ensaiando um
jeito novo de organizar a pastoral, através do que se denominou
Regiões Pastorais. A referência para isso é a experiência
realizada na Paróquia Santo Antônio, Catedral de Chapecó. O
objetivo é evitar o centralismo e absorção de energia com a
estrutura paroquial, dando ênfase ao dinamismo pastoral.
A experiência nasceu da
preocupação com uma pastoral mais encarnada e que atendesse aos
apelos do Concílio Vaticano II. O projeto deslanchou no início
da década de 70. Expressamos aqui alguns elementos dessa
experiência, iniciada há quase três décadas.
Padre Clair Lovera, atualmente
Vigário Geral da Diocese, acompanhou o desenrolar desse
processo. Segundo ele, várias motivações levaram à
reestruturação da pastoral. As dificuldades em
coordenar/articular as diferentes pastorais com suas exigências,
a necessidade de maior aproximação com o povo, a realidade
socioeconômica e cultural da paróquia que atendia quatro
realidades distintas (urbana, indígena, dos caboclos e a rural
dos imigrantes ítalo-germânicos) e a transição do modelo capelas
para o de CEBs, estão entre as principais.
Organização e estruturação das regiões pastorais
A configuração atual revela
alterações significativas nas Regiões ao longo desses anos. Para
uma população de quase 200.000 habitantes, existem duas
paróquias apenas, São Cristóvão e Santo Antônio. A estrutura de
atendimento pastoral da Paróquia Santo Antônio organizou cinco
regiões com suas respectivas comunidades, atendendo a um número
de comunidades diferenciado. A Região Nordeste atende 22
comunidades, a Sudeste 15, a Norte 21, a Central 4 e a Região
Sul 11 comunidades. A Paróquia São Cristóvão começou como uma
Região Pastoral, com 27 comunidades.
A partir do ano 2000, mais um
passo foi dado rumo à autonomia financeira das Regiões, que, em
princípio, cada uma deve prover recursos para atender suas
necessidades pastorais. A questão burocrática, registros e
documentação, tanto eclesiais como civis permanecem ligados à
paróquia
Princípios
básicos
Cada região pastoral tem sua
equipe de coordenação, cada uma com características peculiares.
Portanto, os encaminhamentos práticos são diferentes, de acordo
com a realidade da região, bem como de acordo com a realidade
dos membros que compõem a equipe. No entanto, alguns princípios
básicos são respeitados por todos, dentre esses os que fazem
sintonia com a perspectiva metodológica adotada no Itepa, como:
Avaliação e planejamento da
ação - no final de cada ano, as equipes de coordenação
avaliam a caminhada, olhando, especialmente, as ações realizadas
e/ou planejadas em conjunto.
As decisões e encaminhamentos
são feitos a partir da realidade paroquial e da região pastoral
- À medida que surgem as necessidades, são feitos os
encaminhamentos práticos.
Valorização das lideranças que
atuam nas comunidades- esse princípio passa pelo
espaço de atuação dado a elas no exercício dos ministérios, na
escuta e na tomada de decisões.
Formação das lideranças-
reunidas por pastorais específicas são trabalhados temas a
partir das necessidades de cada pastoral. A Bíblia ocupa lugar
privilegiado na formação.
Limites e
desafios
O pároco de Xanxerê, padre Ivo Oro
e o Reitor do Seminário Menor, padre Marlo Tessaro, apontam para
os perigos da “paroquialização” ou do “bairrismo” entre as
Regiões. O desafio é reforçar as práticas que coíbem o
isolamento, sem anular as particularidades e a autonomia das
mesmas.
A prática dos agentes de pastoral
também é um desafio. Para manter vivo o espírito é necessário
que haja permanente abertura ao diálogo, à participação e à
responsabilidade. Os agentes têm uma função primordial na
condução da práxis das Regiões.
Junto a isso desponta o desafio
de se trabalhar nas comunidades a identidade de cada Região, em
comunhão com a identidade paroquial. E, finalmente, deve-se
questionar se a entreajuda e a missionariedade são
características das Regiões Pastorais.
Rogério Luiz Zanini, padre da
Diocese de Chapecó e professor do Itepa |