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A construção da comunhão eclesial é a chave da missão

Mensagem do Papa por ocasião do Dia Mundial das Missões

Irmãos e irmãs!

O mês de outubro, com a celebração do Dia Mundial das Missões, oferece às comunidades diocesanas e paroquiais, à vida consagrada, aos movimentos eclesiais e a todo o povo de Deus, uma ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e conferir às atividades pastorais, ampla conotação missionária. Este evento anual convida-nos a viver com intensidade os caminhos litúrgicos, catequéticos, caritativos e culturais, mediante os quais Jesus Cristo nos convoca à Ceia de sua Palavra e da Eucaristia, para saborearmos o dom da sua presença. 

Neste mês das missões, dentre as inúmeras atividades eclesiais em todo o mundo, a Igreja convida-nos também a aprender de Maria, mediante a oração do Santo Rosário, a contemplar o projeto de amor do Pai pela humanidade, para amá-la como Ele a ama. Não seria também este um dos grandes  sentidos da missão?

Queremos ver Jesus (Jo 12,21) é o pedido que, no Evangelho de João, alguns gregos, ao chegar a Jerusalém para a peregrinação pascal, apresentam ao Apóstolo Filipe. Ele ressoa também em nosso coração neste mês de outubro, que nos recorda que o compromisso de anunciar o Evangelho é dever de toda a Igreja, missionária por natureza (Ad Gentes, 2), convidando-nos a ser promotores da novidade de vida permeada de relações autênticas, em comunidades alicerçadas no Evangelho. Em uma sociedade multiétnica, que sofre sempre mais formas de solidão e de indiferença preocupantes, os cristãos devem aprender a oferecer sinais de esperança, tornando-se irmãos universais, cultivando os grandes ideais que transformam a história e, sem falsas ilusões ou inúteis temores, empenhar-se em fazer do planeta, casa de todos os povos.

Estas considerações evocam o mandato missionário, recebido por todos os batizados e por toda a Igreja, que não se pode realizar sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral. Efetivamente, a consciência do chamado a anunciar o Evangelho estimula não apenas os fieis, mas todas as comunidades diocesanas a uma renovação integral, abrindo-se sempre mais à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de toda pessoa, povos, culturas, raças e nacionalidades, em todas as latitudes. A Igreja é em Cristo, sacramento e instrumento de íntima união com Deus e de unidade de todo o gênero humano (LG 1).

A Comunhão eclesial nasce do encontro com o Filho de Deus. Ele nos revela que Deus é amor (1Jo 4,8) e ensina que, a lei fundamental da perfeição humana e, portanto, da transformação do mundo, é o mandamento novo do amor, caminho que está aberto a todos, e garante que o esforço para estabelecer a fraternidade universal não é em vão (Gaudium et Spes,38).

A Igreja torna-se comunhão a partir da Eucaristia, em que Cristo, presente no pão e no vinho, com o seu sacrifício de amor, edifica a Igreja como seu corpo, unindo-nos ao Deus-Uno e Trino e entre nós (1Cor 10,16s). Não podemos reservar para nós o amor que celebramos no Sacramento. Por sua natureza, ele pede para ser comunicado a todos. O mundo tem necessidade é do amor de Deus, de encontrar Cristo e acreditar n’Ele ( Sacramentum Caritatis 84). Por isto a Eucaristia é fonte e ápice não só da vida da Igreja, mas também da sua missão. Uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja Missionária, capaz de levar todos à comunhão com Deus. O impulso missionário sempre foi sinal de vitalidade para a Igreja e a cooperação é testemunho de unidade, fraternidade e solidariedade, que torna a todos anunciadores do amor que salva.

Nesta mensagem anual para o dia Mundial das Missões, desejo expressar, com afeto e amizade, o reconhecimento aos missionários/as que testemunham nos lugares mais distantes e difíceis, muitas vezes até com a vida, o advento do Reino de Deus. Deus vos encha de alegria, fervor espiritual e profundo júbilo. Renovo, portanto, a todos o convite à oração, ao compromisso de ajuda fraterna e concreta em apoio às Igrejas mais necessitadas. Tal gesto de amor e de partilha, que o serviço das Pontifícias Obras Missionárias, proverá distribuir, ajudará na formação dos sacerdotes, seminaristas, lideranças e catequistas, nas mais diferentes terras de missão e encorajará as jovens comunidades eclesiais. A missão é feita com os pés dos que partem, os joelhos dos que rezam e as mãos dos que ajudam! Faça sua parte e ajude os demais cumprir a missão. Acolha as bênçãos de Deus!

Benedictus PP.XVI

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