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Indagações sobre a violência

Reflexões a partir do grupo de pesquisa Juventude e Violência em Passo Fundo

Ao invés do silêncio anunciado, das incertezas que giram o mundo da violência banalizada, convidamo-nos à práxis de educadores e educadoras da vida da juventude. A insegurança de não podermos dar resultados concretos e nem apontar para grandes mudanças é o fechamento da pauta.  Silenciamos por entendermos pouco de tanto. Clarice Lispector, cuja poesia deveria ser gritada e resmungada nas ‘avenidas Brasis’ do mundo, certo dia, quando questionada sobre quais das suas obras mais estimava, citou o conto “O ovo e a galinha” e também “Uma coisa que eu escrevi sobre um bandido”. Nesse último, a autora demonstrava sua revolta mediante a brutalidade com que a polícia carioca assassinara um bandido. Paralelamente à enumeração de cada um dos 13 tiros disparados à queima-roupa, o texto narra o crescente percurso de perplexidade vivenciado pela autora que completa: “O décimo terceiro tiro me assassina – porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro”. Se o propósito do policial era matar o bandido, o que o teria levado a disparar 13 tiros quando um apenas bastaria? Silenciamos.

Os educadores e educadoras são jovens estudantes e professores de teologia-pastoral, jovens militantes da Pastoral da Juventude, jovens da Coordenadoria Municipal da Juventude. O desejo é entender e ‘escutar sobre’ o fenômeno da violência juvenil na cidade de Passo Fundo. Nesse momento estamos indo às escolas (estudantes e professores), a grupos de jovens das Igrejas, a projetos sociais, aos policiais, a outros grupos alternativos. Queremos ouvir. Não queremos dizer nada. Se o dizemos é em nossas partilhas, em nossos bate-papos informais. Assim estamos nos constituindo um grupo. Utilizamos a história de uma menina (Aline) que passa e reproduz diversas situações de violência nascente de um contexto familiar de desestruturação total. Indagamos aos sujeitos dos grupos focais a julgarem as ações diárias da Aline num lugar-comum de co-participação na sua vida.

Não somos cegos, nem ingênuos. Muito menos surdos. Ouvimos os gritos silenciados de tanta juventude tombando. A violência está matando mais do que a guerra. Ninguém fala. É o sistema que mata. Mata e enterra no buraco do desemprego, da ‘falta de experiência’, da carência de amor, seduz pelo lucro desenfreado, mata porque individualiza. Mata. Sim, a juventude também é violenta. Mas é violenta porque está sendo violentada pelo sistema em que é criada. Maldito qualquer extermínio de jovens! Malditos aqueles que matam!

Maicon André Malacarne, aluno do 3° ano de Teologia do Itepa

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