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A origem dos presépios

O texto abaixo foi enviado por Ivanir Antônio Rampon, padre da Diocese de Passo Fundo e professor do Itepa, atualmente cursando Teologia Espiritual, na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma. Em maio deste ano, com um grupo de estudantes visitou Greccio, local onde em 1223 foi montado o primeiro presépio da história.

O primeiro presépio da história

Estava chegando o Natal do ano de 1223, época de São Francisco e Santa Clara de Assis. Naquele ano, Francisco queria celebrar o Natal de modo diferente. Pediu ao amigo João Valita que preparasse, em Greccio, uma celebração que fosse vivencial, ou seja, deveria ser um novo Natal, uma nova Belém e um novo nascimento de Jesus nascido pobre. João Valita era um antigo nobre, mas ao abraçar o ideal de Francisco abandonou as armas, as guerras e os ódios para ser uma pessoa da paz e da fraternidade. Greccio fica aproximadamente a 50 quilômetros de Assis. Lá no alto de uma grande montanha existe uma gruta onde, hoje, há um templo. O local é silencioso e peregrinos chegam para a oração. Ali há uma coleção de presépios do mundo inteiro e a cidade é conhecida pelo slogan Aqui todos os dias é Natal.

Naquele Natal, Francisco queria ver o menino que nasceu em Belém. Vários frades foram chamados para o dia da alegria e da exultação. Homens e mulheres de Greccio foram convidados e achegaram-se com velas e tochas para iluminar a noite, que iluminou todas os dias e anos. Francisco chegou ao local e sentiu imensa alegria. O boi e asno foram levados até o presépio.

A noite, iluminada e deliciosa para as pessoas e os animais, dançou de júbilo. Francisco, paramentado com as vestes diaconais, cantou o Evangelho com voz forte, doce e sonora. Pregou sobre o nascimento do rei-pobre e sobre Belém, a pequena cidade. Nomeava Cristo como “Menino de Belém” ou “Jesus” como que saboreando um feliz paladar e engolindo a doçura destas palavras. Doçura também sentira, certa vez, quando beijara um leproso...

Francisco, o pobre-pregador, ajuda as pessoas a verem que Deus não nasceu na poderosa Roma ou em Jerusalém entre os ricos, mas em Belém, entre os pobres, a quem dedicou toda a sua vida e pregação. Despertou sentimentos de ternura quando falou sobre o amor de Deus revelado naquela criança, filho de uma mãe pobre e humilde. A aproximação de Deus - como uma criança pobre e indefesa - desperta sentimentos de ternura, mas também desejo de um mundo com mais irmandade, paz e amor. Esta aspiração foi expressa, após a Missa Natalina, com um banquete comunitário, no qual pessoas e animais se alimentaram com grande alegria.

Acolher Jesus no coração: o presépio interior

O relato do Natal de 1223, celebrado em Greccio, conta que todos tiveram uma visão. Viram um menino que despertava de um sono profundo, significando que naquela noite, agindo por meio de Francisco, o menino que havia caído no esquecimento em muitos corações, ressuscitou. O historiador Leclerc acrescenta que numa sociedade de comerciantes, dominada e dividida pelo dinheiro, era preciso redescobrir a pobreza de Deus. Num mundo de clérigos sedentos de honrarias e grandezas, era premente voltar à humanidade de Deus. E onde se poderia melhor acolher a Deus do que lá no alto junto ao povo simples da montanha?.

A notícia da celebração do Natal de 1223 em Greccio se espalhou pelas comunidades da região que nos anos seguintes começaram a montar presépios nas Igrejas e Catedrais. Séculos mais tarde, veio o costume de montá-los nas casas. Também vieram as deformações, ou seja, montam-se presépios tão luxuosos que não recordam que o Menino Jesus nasceu numa estrebaria.

Uma prece em Greccio

Ao passar por Greccio fiz uma oração pelas comunidades da Diocese de Passo Fundo. Para que possamos viver a mensagem de Jesus. Para que os sacerdotes anunciem com sabor o Evangelho. Para que os religiosos e religiosas vivam a Palavra que se fez carne. Que as lideranças leigas busquem, como João Valita, uma sociedade com igualdade, fraternidade e paz. Que todos vivamos intensamente o Batismo, sacramento que nos inseriu na comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus Cristo.

Junto com os votos de Feliz Natal, desejo que no próximo ano as comunidades da Diocese possam celebrar e viver intensamente a Eucaristia. Que o Congresso Eucarístico produza bons frutos nos corações, na Igreja e na sociedade. Que São Francisco de Assis interceda por nós!

Feliz Natal! Abençoado 2010!

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