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A celebração da missa no dia
do padroeiro

Contando uma
experiência!
O relato é de uma experiência que
aconteceu na Vila Ricci, em Passo Fundo. A mudança na data da
celebração foi uma estratégia que deu certo e ampliou a participação
e envolvimento da comunidade. Alguns fatos são importantes para
compreender a mesma.
A decisão surgiu de uma provocação
feita no dia 3 de maio de 2008, quando afirmei, durante a homilia,
que não haveria mais missa na Vila Ricci. O motivo era a pouca
participação. Naquele dia a celebração iniciou com a presença de 17
pessoas. Era um dia de sol e não havia outra programação que pudesse
atrapalhar.
Diante da provocação a reação foi
imediata. Disseram que não poderia deixar a comunidade sem uma
celebração mensal. A princípio fiquei firme na decisão, dizendo que
não valia a pena investir energia numa comunidade onde as pessoas
não participam e que outras comunidades gostariam de ter mais
celebrações por mês. Eles disseram que deveria respeitar a história
da comunidade e continuar com a celebração mensal.
A novidade
A novidade, que brotou da intuição
naquele mesmo dia foi o de marcar a missa para o dia 13 de cada mês,
não importando o dia da semana, em homenagem ao padroeiro Santo
Antônio. A celebração seria sempre às 19h e 30 mim. Além da
provocação da data, ficou combinado que poderia ser feita a bênção
dos pães em cada celebração, desde que alguém os doasse. A decisão
não foi unânime, mas ficou assim combinado. Os presentes teriam a
responsabilidade de avisar a comunidade.
Minha expectativa era grande para a
chegada do próximo dia 13. Parece que a provocação e a novidade
mobilizaram a comunidade. Na primeira vez que isso aconteceu, dia 13
de junho do ano passado, foi um sucesso total. Logo ao chegar perto
da capela percebi que algo estava acontecendo. Havia no pátio vários
carros, o que antes não acontecia. Fui controlando minhas emoções. A
capela estava lotada faltando um bom tempo para o início da
celebração. Na hora combinada, tudo estava preparado. Capela limpa,
flores, pão, equipe de cantores e de liturgia. Alegria no rosto.
Qual o motivo? Garantir a missa na vila? Casa cheia? Novo impulso?
Esperança nova?
Na oportunidade foi feita uma consulta
à comunidade para saber se a celebração continuaria no dia 13. Desta
vez a aprovação foi geral. Enquanto ia sendo feita a distribuição do
pão, fazia a imposição das mãos aos interessados. Ninguém arredou o
pé antes de receber a bênção da saúde. No momento, a sensação era de
alívio, embora ainda tivesse dúvida se não se tratava de um primeiro
impulso, uma simples novidade.
Pesquisando a história da comunidade
percebi a relação da mesma com a devoção antoniana. Ela nasceu em
torno de um capitel erguido em honra a Santo Antônio.
A experiência
continua
Em outra ocasião, no dia 13 de
setembro de 2008, novamente com casa cheia, foi feita uma avaliação
da experiência. Na opinião das pessoas, ficou fácil lembrar a data,
pois é o dia do santo. Alguns diziam que foi obra de Santo Antônio,
chegaram a falar em milagre. Este fato possibilitou recordar a
história da comunidade.
Agora o problema passou a ser outro, o
do espaço. A capela estava pequena e foi colocado em discussão a
ampliação da mesma. Em meio a dúvidas sobre o significado do que
estava acontecendo surgiu o medo de que a experiência enfraquecesse
por não ter outro espaço para celebrar, durante a reforma.
A reinauguração da capela aconteceu no
dia 13 de dezembro e isso dava demonstração de que o projeto não
havia morrido. A capela estava lotada. A bênção do pão e a imposição
das mãos foram se institucionalizando e sempre acontecem.
Em meios aos desafios de manter o
astral da comunidade e evoluir na organização da evangelização, fica
o desejo de que Santo Antônio ajude a comunidade a progredir na
autoestima, na fé, na esperança e no amor. Parabéns à comunidade!
Padre Wilson Lill,
pároco da São Cristóvão, Passo Fundo e professor do Itepa |