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A capacidade de dar graças
No
dia mundial de ação de graças somos motivados a louvar e bem dizer
ao Criador. Sabe-se que tal gesto engrandece o ser humano,
tornando-o mais vivo e radiante, fazendo com que sua humanidade seja
exaltada, pois é justamente por ser humano que ele agradece. Esta
humanidade é ainda mais valorizada no momento em que o agradecimento
feito diz respeito a outro humano, a outro sentimento de humanidade,
ou seja, quando se agradece a presença das outras pessoas em nossa
vida.
Porém em muitas pessoas esta bela
capacidade de agradecer é falha, pois as mesmas perderam esta
característica. São muitos os que não valorizam e agradecem as
grandes maravilhas que tem ao seu redor, a começar pela vida,
precioso dom de Deus que muitas vezes é desperdiçado. Esquece-se de
agradecer pela natureza que se tem, pela água, o ar e a
biodiversidade existente no Planeta. Ao contrário, a mesma é
depredada e poluída. Da mesma forma perdeu-se a capacidade de dar
graças pela família na qual cada um é criado, pelos pais, irmãos e
amigos. Pouco se valoriza as pessoas mais velhas, as rodas de
chimarrão e os encontros entre vizinhos.
No entanto, há muitas coisas que não
são consideradas motivo para agradecer. A mortalidade infantil, as
desigualdades e injustiças não merecem ação de graças, mas sim
pedidos de perdão. Também a corrupção e o desmatamento não são
objetos de alegria mas chamam à responsabilidade. Tais exemplos
convidam a sociedade a refletir sobre que tipo de ação de graças
deve ser feito e, sobretudo, qual o papel da mesma diante de tudo
isso.
Portanto, é preciso que se reavaliem conceitos e
atitudes do cotidiano. Que realmente sejam valorizados e agradecidos
os dons, as capacidades e virtudes que cada pessoa tem. Que demos
graças pela diversidade étnica, cultural e religiosa existente no
mundo. É preciso recuperar os gestos humanos e carinhosos perdidos
nas relações familiares, agradecer pelo beijo de boa noite recebido
dos pais, a alegria de conviver com os irmãos e a maravilha de poder
desfrutar desta bela caminhada chamada existência. |