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Aprendendo solidariedade com
o vendaval
No
dia 7 de setembro/09, a cidade de Victor Graeff e arredores foi
atingida por um grande vendaval. Deixou um enorme rastro de
destruição, provocando muitas perguntas, como, Por que o
vendaval atingiu a nossa região? Foi um fenômeno natural sob a
influência do "el niño", mas por que aqui? Será que a natureza está
reagindo à destruição do meio ambiente? Será um castigo? Como pode a
vida humana não ter sido atingida? Foi acaso? Foi proteção de Deus?
Um milagre? Estas e muitas outras perguntas ficaram sem
resposta. Numa postura de querer aprender a partir de nossa
pequenez, o pároco padre Ivanir Rodighero observou que é possível
aprender com a experiência.
Somos finitos, limitados... Em
segundos, ficamos sem luz, e um grupo expressivo de famílias, sem
telhado e ... molhados. Reações como, choro, medo, pânico, raiva e a
dúvida de como estariam os outros familiares, vizinhos, amigos foram
comuns.
Precisamos cuidar mais do meio
ambiente - A natureza tem as suas leis que necessitam ser
respeitadas. Importante é que se tome consciência de reduzir o uso
de produtos tóxicos e de criar hábitos de conservação do
ecossistema.
Necessitamos
cultivar em profundidade a fé - O encanto da tecnologia moderna,
principalmente, a TV e a internet, em que pese seus aspectos
positivos, muitas vezes, absorvem o nosso tempo e, não raro,
ingressamos numa postura individualista e egoísta. Fica de lado a
convivência fraterna, a oração pessoal, o encontro com o Senhor e
com os irmãos que mais necessitam.
Urge rever as decisões e opções
partidárias - A política deveria gerar o bem comum, porém está
deixando um saldo de divisões, inimizades e interesses particulares.
O processo de restauração dos prejuízos do vendaval, fez com que, em
parte, as relações fossem refeitas. As inimizades políticas ficaram
pequenas diante das necessidades do outro, e o bem comum prevaleceu.
Aceitar ajuda - Um menino
dizia, Mãe, não quero ajuda de outras pessoas. A mãe
respondeu sabiamente, Sim, meu filho, não fomos muito atingidos,
mas se tivéssemos sido, nós iríamos aceitar com alegria. Há em
nós, muitas vezes, um menino que pensa assim. A carência e a dor nos
fazem humildes e nos educam para uma postura diferente.
Existem
muitas pessoas solidárias - Na paróquia surgiu um grupo de
voluntários. Bastou apenas um chamado. A grande maioria são
mulheres, pessoas humildes e simples, dispostas a doar parte do seu
tempo no serviço de receber, classificar, organizar e destinar as
doações aos necessitados. Houve solidariedade do próprio município e
de outros, especialmente, mais próximos. A Defesa Civil, também, deu
sua contribuição.
Nosso agradecimento às paróquias, à
Cáritas Diocesana e às pessoas de boa vontade - Recebemos
doações vindas de tantos irmãos dos mais diversos recantos da
diocese. Muita ajuda econômica, roupas, calçados, colchões... Não
eram roupas velhas, calçados fora de moda, móveis sem utilidade ...
mas, em sua grande maioria, doações que foram utilizadas. No meio
delas, um bilhete com palavras de ânimo e conforto.
Será que aprendemos estas lições? Só o tempo nos dará
a resposta. Nosso dever é o cultivo destas atitudes e dizer, de todo
o coração, obrigado pelas orações, doações e palavras solidárias,
conclui padre Ivanir. |