|
Diocese de
Passo Fundo é elevada à categoria de Arquidiocese
Por decreto do papa Bento XVI, a
Diocese de Passo Fundo passa, a partir desta quarta-feira, dia 13 de
abril de 2011, à categoria de Arquidiocese. A Diocese de Passo Fundo
é formada por 54 paróquias agrupadas em 9 áreas pastorais ( Guaporé,
Casca, David Canabarro, Marau, Tapejara, Carazinho, Sarandi, Tapera
e Passo Fundo). Abrange 47 municípios do norte do Estado do Rio
Grande do Sul e tem 900 comunidades.
Foi criada em 1951
e teve como primeiro bispo dom Cláudio Colling. Em 1982, dom Urbano
José Allgayer é nomeado bispo diocesano, permanecendo à frente da
Diocese até 1999, quando assume dom Ercílio Simon. No dia 5 de
abril de 2009, dom Liro Vendelino Meurer é apresentado como bispo
auxiliar de Passo Fundo.
A Província
Eclesiástica de Passo Fundo será formada pelas dioceses de Erexim,
Vacaria e Frederico Westphalen (chamadas de dioceses sufragâneas).
As 4 dioceses juntas tem uma população de aproximadamente 1.500 mil
habitantes, abrangendo 156 municípios, com 149 paróquias.
|

Catedral
Nossa Senhora Aparecida
Passo
Fundo |

Catedral São José
Erexim |
|

Catedral Santo
Antônio
Frederico
Westphalen |

Catedral Nossa
Senhora da Oliveira
Vacaria |
A Arquidiocese de
Passo Fundo
A Igreja católica,
que congrega em torno de um bilhão e 200 milhões de batizados, tem
uma organização exemplar, que atinge desde os católicos das grandes
cidades como os fiéis que moram no rincão mais distante.
Na base desta
estrutura eclesial está a família, que chamamos Igreja doméstica,
lugar sagrado onde se transmite e se aprende a viver a fé cristã que
se recebe como graça de Deus no batismo. Na arquidiocese de Passo
Fundo, neste ano de 2011 são cerca de 520.000 os habitantes, sendo
que os católicos somam em torno de 400.000.
As famílias
vizinhas, mais próximas entre si, seja nas cidades como no interior,
se organizam em pequenas comunidades que são chamadas, em nossa
região, de capelas, ou então comunidades de base ou mais correta e
simplesmente comunidades. Em nossa arquidiocese são cerca de 900
comunidades. No mundo urbano, por vezes, os movimentos e pastorais
de certo modo assumem a função das “capelas”.
Comunidades,
paróquias e áreas pastorais
As pequenas
comunidades, por sua vez, pertencem a uma comunidade maior, chamada
paróquia onde se vive no dia a dia a fé e os sacramentos. Geralmente
elas têm à frente um padre, que chamamos pároco, que prega a
palavra, celebra os sacramentos e organiza a comunidade. Em Passo
Fundo existem 54 paróquias nos 47 municípios da diocese. O padre que
coordena a paróquia, o pároco, é quem organiza as visitas do
sacerdote a estas comunidades onde estão as famílias. Estas visitas
são pelo menos mensais. Em outras regiões do Brasil e do mundo, onde
as distâncias são grandes e os meios de locomoção são precários, as
visitas do padre acontecem apenas uma vez por ano ou até menos. Se
as comunidades são em grande número, como acontece nas cidades, o
pároco conta com a ajuda de um ou mais padres, que chamamos de
vigário paroquial. Salientamos que é na paróquia que acontece a
normalidade da vida cristã do católico, desde o batismo, eucaristia,
crisma, casamento e demais sacramentos, até a encomendação no final
da vida.
As paróquias
vizinhas e próximas entre si têm uma organização de mútua ajuda que
chamamos de áreas pastorais. No Direito Canônico são chamadas de
foranias. Geralmente são formadas por um pequeno número de
paróquias cujos párocos lideranças se reúnem
mensalmente para mútua ajuda, recebimento de materiais, orientações
da diocese e horas de convivência.
Dioceses
As dioceses são o
passo seguinte e fundamental, da organização da Igreja. No Rio
Grande do Sul as atuais dezoito dioceses são compostas de 20, 30,
50, 70 paróquias sendo que Porto Alegre tem mais de 100 paróquias.
Estes conjuntos de paróquias formam cada conjunto, uma diocese. Cada
diocese é dirigida por um bispo, o bispo diocesano, que governa em
espírito de serviço a Igreja Diocesana, que se chama também Igreja
Particular. Em nosso caso o bispo diocesano é Dom Ercílio Simon.
Quando a diocese é grande, o bispo, por vezes, conta com um bispo
auxiliar, geralmente mais jovem. Em Passo Fundo o bispo auxiliar é
Dom Liro Meurer. Podem morar na diocese e ajudar na medida de suas
forças, os bispos eméritos que já completaram 75 anos, ou antes,
desta idade, quando as forças e saúde enfraquecem. Temos em Passo
Fundo Dom Urbano Allgayer, bispo emérito, que foi bispo diocesano
entre 1982 até 1999.
Missão
Cada diocese se
esforça para cumprir sua missão de anunciar Jesus Cristo, organizar
as comunidades e prestar o culto a Deus principalmente pelos
sacramentos. Cada diocese faz seu planejamento pastoral e todos
procuram seguir o plano diocesano. Ao longo da história da diocese
de Passo Fundo foram organizados e executados quinze planos de
evangelização e pastoral. Uma das maiores preocupações de cada
diocese é garantir a existência de pelo menos um padre em cada
paróquia que ensinará a Palavra, presidirá o culto e dirigirá a
comunidade. Por isso a preocupação com as vocações sacerdotais, a
existência e sustento dos Seminários, com formação filosófica e
teológica, sempre estão muito presentes. Os padres formados pela
diocese estarão a serviço dos leigos, formando-os para que sejam
evangelizadores e participantes do processo de organização da
sociedade de modo justo e fraterno.
Arquidioceses
Unindo de modo
mais próximo as dioceses mais vizinhas, temos as arquidioceses.
Estas são formadas por um grupo de dioceses que unem seus esforços
para promover a ação evangelizadora e pastoral em comum união. Este
agrupamento de dioceses se chama “Província Eclesiástica”. São
grupos de três, quatro, cinco, seis ou mais dioceses num território
bem delimitado, que se unem em Províncias Eclesiásticas, erigindo
uma delas como arquidiocese. As outras, unidas à arquidiocese, se
chamam dioceses sufragâneas. O bispo da arquidiocese se chama
arcebispo ou metropolita.
Províncias
eclesiásticas
É o que está
acontecendo com a agora arquidiocese de Passo Fundo, neste ano 2011,
quando a Diocese completa 60 anos. Pertencemos, desde a fundação da
diocese em 1951, à arquidiocese de Porto Alegre, Província
Eclesiástica do Rio Grande do Sul. Eram, até agora, 18 dioceses de
uma única província. Era grande demais, e segundo dizia o arcebispo
de Porto Alegre Dom Dadeus Grings, era a Província com maior número
de dioceses sufragâneas do mundo! Por isso o Papa, tendo ouvido os
bispos gaúchos, constituiu três novas províncias eclesiásticas no
Estado gaúcho: Passo Fundo, no norte do Estado, Santa Maria no
centro e Pelotas no Sul, todas originadas da Província Eclesiástica
de Porto Alegre. A Província Eclesiástica de Passo Fundo ficou
formada ou tem como dioceses sufragâneas, as dioceses de Erexim,
Vacaria e Frederico Westphalen.
Arquidiocese de
Passo Fundo
O fato de Passo
Fundo ser escolhida e elevada à arquidiocese constitui uma honra
para a cidade e região. Demonstra a maturidade da região, da Igreja
na região. No entanto, é bom recordar, foi decisivo o fator
geográfico. Passo Fundo fica bem no centro da região norte do
Estado, e para Passo Fundo convergem as comunicações rodoviárias e
mesmo dos meios de comunicação social. Aliás, há várias décadas
estas quatro dioceses já se reuniam numa subdivisão chamada
Interdiocesano Norte. Não fosse o fator geográfico, a escolhida
seria Caxias do Sul, bem maior, mas localizada em região próxima de
Porto Alegre. Caxias continua, pelo menos por enquanto, como diocese
sufragânea de Porto Alegre.
Na prática já
existiam estas três províncias na organização que se chamava
Interdiocesano. As três novas arquidioceses já exerciam de certo
modo as mesmas funções que vão exercer como arquidioceses. O que
aconteceu foi a oficialização das funções, usando o nome reconhecido
pelo Direito Eclesiástico de Província Eclesiástica e não
Interdiocesano.
Arcebispo
Na província
eclesiástica o arcebispo exerce um poder muito relativo. Na
realidade a Igreja acontece em sua plenitude em cada diocese, onde
cada bispo exerce a autoridade e carrega
a responsabilidade. O
arcebispo tem uma tarefa apenas supletiva.
Compete ao
arcebispo, por exemplo, zelar para que a fé e a disciplina
eclesiástica sejam atentamente observadas. Compete também ao
arcebispo designar o Administrador Diocesano da diocese sufragânea
em caso de morte ou impedimento do bispo, se o colégio de
consultores da diocese não o escolherem no prazo de oito dias de
vacância da sede episcopal. Porém, na prática, devido às facilidades
dos meios de comunicação, a nunciatura apostólica, representando o
Papa no Brasil, resolve logo a situação, antes de se completarem os
oito dias.
Além disso, é o
arcebispo que dá posse aos bispos eleitos para as dioceses
sufragâneas. É também o arcebispo que zela pelo bom andamento das
pastorais em comum entre as dioceses, lembrando o rodízio necessário
nas coordenações destas pastorais comuns.
Regional sul 3
No entanto, a
organização da Igreja continua em patamares ainda mais altos. Como
parte importante do organismo eclesial temos o que o Direito
Canônico chama de “região” e no Brasil chamamos de “regional”. É o
conjunto de várias províncias próximas entre si e que tem atividades
comuns. Assim, pertencíamos e continuamos a pertencer ao Regional
Sul III da CNBB que engloba o Rio Grande do Sul unindo as Províncias
de Porto Alegre, Passo Fundo, Santa Maria e Pelotas. Continuarão,
assim, as mesmas atividades, mesmas reuniões, mesmos projetos e
planos que já existiam no Estado.
CNBB
Em grau ainda
maior temos a organização de todo um país em que o conjunto dos
bispos das “Regionais” forma o que chamamos de Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil, CNBB, com quase 300 dioceses e cerca de 400
Bispos. Todo o Brasil conhece e reconhece a CNBB como organismo da
Igreja a serviço do povo brasileiro.
Papa
Acima de todas as
Conferências Nacionais, regiões, províncias, dioceses, paróquias e
comunidades, todos reconhecemos o primado do Bispo de Roma, o Papa,
que pode exercer seu poder diretamente em qualquer nível da
organização. Todos estamos em comunhão com o papa que é o Bispo de
Roma. Atualmente sentimos este poder do Papa particularmente na
escolha dos bispos, transferência de bispos, criação de dioceses e
províncias e particularmente na orientação geral quanto à doutrina e
disciplina católica.
Comunidade de fé
Em resumo esta é a
organização da Igreja que explica a designação da diocese de Passo
Fundo para arquidiocese de Passo Fundo, centro da Província
Eclesiástica de Passo Fundo, abrangendo o Norte do Estado do Rio
Grande do Sul.
Lembremos, por
fim, que os papas, os arcebispos, os bispos e padres passam, mas
permanece a comunidade de fé, de culto e de caridade, a Igreja de
Cristo, até que se instaure o Reino de Deus nos novos céus e nova
terra.
Texto de
Dom Ercílio Simon - Arcebispo de Passo Fundo/RS |